quarta-feira, 20 de abril de 2011

Primeiro segredo - Não te quero mais

Vou explicar desde o começo.
Ele é meu ex-namorado.  Não só ex, como foi o primeiro. Até aí tudo bem.
A continuidade do nosso relacionamento depois do fim do nosso relacionamento (isso soa estranho, mas e a verdade) talvez tenha sido um erro. Se por todos os lados vemos casais que nunca mais se falam após o término do namoro, ou simplesmente deixam de ser ver, no nosso caso continuamos nos vendo, saindo sozinhos inclusive, conversando sempre e levando a amizade numa boa, já que nos gostávamos ainda e nos respeitávamos muito.
Depois de muito tempo – leia-se aí uns 4 anos de amizade e só amizade – nós começamos a ficar. Mas era algo que ocorria raramente e que me deixava encucada – pensando se haveria chance de voltarmos e essas besteiras de pessoa ainda apaixonada. No final, era sempre uma decepção, porque ele deixava claro que não queria compromisso. Então tá né.
Depois de mais algum tempo – de muita insistência por parte dele -, resolvemos transar. Você se pergunta: Oh my God, não faziam sexo? Não, namoramos quando éramos adolescentes e eu tinha algumas convicções sobre virgindade (que não duraram após os 18 anos, a saber).
Quando aconteceu, havia muitas expectativas sobre isso. Para ele, era questão de desejo. Ele me achava gostosa e vivia repetindo isso. Para mim, era questão de curiosidade. Ele falava muito sobre suas atribuições e habilidades, e o papo era tão convincente que quis provar daquela tentação.
Acredito que não é novidade que o desempenho deixou a desejar. Se foi culpa da expectativa que eu criei ou da expectativa que ele me fez criar, não saberia dizer. Mas o fato é que eu estava tão afim, que quando finalmente aconteceu perdeu a graça. Tipo cachorro correndo atrás de carro. O carro parou, o que eu faço agora?
Depois de tudo, pensando sobre as circunstâncias e conversando com a melhor amiga, percebi que precisava nos dar outra chance. Aquela era só nossa primeira vez, provavelmente as próximas seriam melhores, e sexo é assim mesmo.


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O problema é que eu já não o desejava mais. Até tentava fantasiar com ele, mas não adiantava. Quando o encontrava pessoalmente, não tinha vontade nenhuma de ficar com ele. Sequer de beijar. Tinha vontade de abraçar, como a um amigo.
O estranho disso tudo é que sempre achei que o amasse, e provavelmente amo, mas não como achei. Não para me relacionar como homem-mulher. Apenas como amigo. Achei que seríamos amigos coloridos para o sexo casual, mas não tinha vontade. Não com ele. Poderia escolher outro ex, ou outro amigo, mas não queria. E não o desejava também.
Isso gerou um problema. Ele queria mais. Se era falta de opção ou realmente desejo por mim, também não saberia dizer. O fato é que ele queria muito transar de novo. Quanto a mim, não fazia questão. Pensei em fazer de novo, por diversão, para ver como seria, e “inconscientemente”, para satisfazê-lo. Mas se o via, não me despertava nada. Absolutamente desejo nenhum.
Algum tempo depois, fiquei sem entrar no MSN porque estava ocupada com as coisas da faculdade e curso. Isso foi bom, porque era por onde mais conversávamos, e portanto ficamos um bom tempo sem nos falar.
Quando resolvo entrar no MSN, um fato curioso me trouxe um arrependimento fudido. Entro, fico alguns minutos, e abro a janela para falar com ele. Papo básico, oi, tudo bem, tudo e você, bem também. Na sequência, ele vem com a pergunta: “quer fazer algo na sexta?”. Achei direto. Antes que eu pudesse responder, ele envia “algo”, entre parênteses, para que eu entendesse que ele não estava chamando para um cinema ou bar, e sim para o rala-e-rola. Tive que rir, e enviei como resposta um “acho que estarei inapta sexta”. Eu me referia ao sinal vermelho, já que estava acabando minha cartela de anticoncepcionais. Ele respondeu que estava com vontade. Não deu tempo de explicar, e nem acho que eu ia querer isso, ele teve que sair porque estava na hora de deixar o trabalho.
Chegamos ao ponto que eu temia. Não parecemos mais amigos. Não falamos sobre o que ocorre em nossas vidas, novidades, vontades. Estamos aí apenas para isso. É o que ele quer, mas não é o que quero. Começo a descobrir que não curto esse sexo casual, que preciso sentir algo pela pessoa para querer satisfazê-la, e definitivamente não sinto nada por ele.
Cara, relacionamentos são uma droga.

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